FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS DO ESTADO DO PARANÁ

Categorias
Sem categoria

A antecipação de recebíveis e as duplicatas escriturais

Image 1

As vendas a prazo fazem parte da rotina de grande parte do comércio. Vende-se hoje e recebe depois. Essas vendas geram direitos, também chamados de recebíveis, que são os valores a receber pelo bem comercializado ou serviço prestado. Antes da popularização dos cartões de crédito, o jeito mais comum de parcelar as compras dos clientes era o crediário de loja. Esses crediários ainda existem, mas vêm perdendo cada vez mais espaço para os cartões.

Nas vendas a prazo, seja via cartão de crédito, seja via crediário, o recebimento efetivo acontece depois de alguns dias e até meses. Ocorre que, em muitos casos, as empresas precisam de dinheiro imediato para manter a operação do negócio, especialmente as de porte pequeno.

E se os recebíveis fossem usados como garantia para a obtenção de crédito em instituições financeiras? Foi com essa finalidade que surgiram as operações de antecipação de recebíveis, muito procuradas pelas PMEs. O nome parece complicado, a explicação é simples: as empresas podem antecipar o recebimento das vendas feitas a prazo mediante um desconto, que reflete o risco da operação e o custo de oportunidade da instituição financeira, já que esses recursos poderiam ser utilizados em outras modalidades.

No caso da relação comercial entre empresas, é comum que as vendas a prazo deem origem a um documento chamado de “duplicata”, que é um título de crédito que representa a dívida entre o fornecedor – também chamado de “sacador” – e o comprador, chamado de “sacado”. Esse instrumento faz parte da prática comercial no Brasil desde o fim da década de 1960. Assim como os recebíveis de cartões de crédito, esse título pode ser utilizado para antecipar os recebimentos de dívidas por meio de instituições financeiras e empresas de fomento mercantil.

Anbc
Soluções para as empresas | ANVC

Dados do Banco Central do Brasil mostram que o saldo das operações de desconto de duplicatas e recebíveis chegou a R$ 171 bilhões em maio de 2026, o que representa cerca de 11% do saldo de crédito com recursos livres para as empresas. Já as operações de antecipação de faturas de cartão alcançaram um saldo de R$ 109,8 bilhões, o equivalente a 7% do saldo com recursos livres.

A taxa de juros média nessas operações foi estimada em 19,7% ao ano no desconto de duplicatas e em 16,1% ao ano na antecipação de faturas. A média de todas as modalidades de crédito empresarial com recursos livres foi de 25,2% ao ano.

Mesmo sendo uma importante fonte de recursos para as empresas, a modalidade dos descontos de duplicatas sempre enfrentou um risco a mais: a incerteza sobre a veracidade das duplicatas apresentadas para uso em operações de crédito. As chamadas “duplicatas frias” são documentos emitidos de maneira fraudulenta, sem a contrapartida de uma venda ou prestação de serviço.

Para superar essa dificuldade, a Lei 13.775, de 2018, instituiu a duplicata escritural. O mercado está em fase de adaptação para implementar o modelo. O objetivo é dar mais confiança às instituições que operam a modalidade, reduzindo as possibilidades de fraude. Aqui, cabe uma distinção importante: o que o mercado convencionou chamar de “duplicata eletrônica” é apenas uma representação digital das duplicatas de papel. A duplicata escritural pressupõe uma infraestrutura de registro e centralização de informações por uma entidade autorizada.

Para emitir uma duplicata escritural, o vendedor – ou prestador de serviço – deverá recorrer a uma escrituradora autorizada pelo Banco Central, enviando os dados da transação comercial. Essa entidade ficará então responsável por registrar a duplicata e todos os atos envolvendo esse título, associar à nota fiscal eletrônica ou a outro documento fiscal correspondente e comunicar o sacado (comprador) sobre duplicata registrada. Além disso, caberá à escrituradora registrar todos os atos envolvendo a duplicata, como, por exemplo, a utilização do documento em operação de crédito. A centralização das informações vem para coibir a prática da emissão de duplicatas frias e da utilização de um mesmo título em diversas operações de crédito.

A mudança faz parte da extensa agenda de modernização do mercado de crédito brasileiro e contou com o apoio dos birôs desde a discussões iniciais. Além disso, é vista como mais um vetor de redução da taxa de juros no segmento de crédito empresarial.

Conhecer o funcionamento de diferentes modalidades de crédito é fundamental para que os pequenos empresários tomem decisões que favoreçam o crescimento dos negócios e fiquem menos dependentes de recursos próprios. Os recebíveis são direitos que podem ser usados para reduzir o custo de crédito e aumentar a rentabilidade.

Saiba mais no site da ANBC – Clique aqui

Siga o Linkedin da ANBC – Clique aqui

Categorias
Notícias

Teto do MEI, Simples e reforma tributária: o que os pequenos negócios precisam

O reajuste do teto do MEI voltou ao centro do debate econômico em Brasília e promete efeito direto nos estados brasileiros, especialmente aqueles com maiores economias. A proposta permite que o microempreendedor contrate até dois empregados, o dobro do que a regra atual autoriza. O tema ganhou destaque no programa Expressão Nacional, da TV Câmara, que reuniu autoridades e representantes do setor. Por sua vez, o encontro expôs consensos sobre o MEI e divergências sobre o Simples Nacional.

A Conampe/Fampepar representou o setor produtivo dos pequenos negócios, com a participação do seu presidente, Ercílio Santinoni, conselheiro do Sebrae Nacional, coordenador temático do Fórum Permanente da Microempresa e EPP nacional, coordenado pelo Ministério do Empreendedorismo (MEMP) e membro do Conselho Gestor do Simples Nacional (CGSN).

O que está em jogo no novo teto do MEI

O Brasil soma quase 17 milhões de microempreendedores individuais e não atualiza o limite de faturamento desde 2018. Portanto, a defasagem já supera 70% de inflação no período. Segundo o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, o novo valor apenas repõe essa perda. “Você pega de 2018 para cá, passa de 72%. Esse aumento para R$ 140 mil repõe parte da inflação, ou a inflação total”, afirmou.

O debate reuniu os deputados federais Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) e Helder Salomão (PT-ES), além do secretário nacional de Ambiente de Negócios do Ministério do Empreendedorismo (MEMP), Maurício Juvenal, e do presidente da Conampe, Ercílio Santinoni. Aliás, Santinoni também preside a Fampepar e integra o Conselho Gestor do Simples Nacional.

Governo defende prioridade para o reajuste do teto do MEI

Para o governo, o MEI merece tratamento separado das empresas. Nesse sentido, Maurício Juvenal lembrou a origem do modelo. “O MEI não é empresa. Ele não foi criado em 2008 pensando em empresas, mas em pessoas. São manicures, pedreiros, eletricistas, essa gente que faz a roda da economia girar”, disse o secretário.

No entanto, ele alertou para os riscos de misturar os dois temas. “O risco de discutir os dois assuntos de forma correlata é criar um abismo tributário. Esse MEI ainda não está preparado para evoluir para um sistema como o Simples Nacional, e isso poderia levar à mortalidade desses pequenos negócios”, ponderou. Assim, o Ministério propõe um grupo de trabalho, a pedido do ministro, para tratar o Simples só depois das eleições.

Atualização do Simples Nacional divide o debate

A grande divergência recai sobre a proposta de elevar o teto do Simples de R$ 4,8 milhões para R$ 8,7 milhões por ano. De acordo com os participantes, a mudança custaria cerca de R$ 50 bilhões em arrecadação, com projeções que chegam a R$ 66 bilhões. Em contrapartida, o impacto do reajuste do MEI ficaria em torno de R$ 8,1 bilhões.

Relator de leis do setor no passado, Hauly defendeu uma engrenagem única dentro do novo IVA. “Elevar o teto do MEI ajuda, dois empregos ajuda, mas não resolve. Aumentar o teto do Simples, neste momento, não tem razão. Nós devíamos colocar essas empresas dentro do IVA, com débito e crédito completo”, propôs o deputado paranaense. Por fim, ele sugeriu compactar as faixas iniciais do Simples até R$ 360 mil, com alíquota menor.

Helder Salomão, ex-prefeito de Cariacica e primeiro gestor do país a aplicar a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, considerou o momento inadequado para o Simples. “Não cabe nesse momento mais 50 bilhões. A proposta do governo para o MEI é adequada. Tem uma redução na arrecadação, mas nós vamos ganhar em escala com o aumento da formalização”, avaliou.

Santinoni, por sua vez, chamou atenção para a sobreposição entre o teto do MEI e a primeira faixa da microempresa, que vai até R$ 180 mil. “Se o MEI for a 140, praticamente a primeira faixa fica se sobrepondo ao limite do MEI. E no Simples é mais caro”, observou. Ainda assim, ele defendeu a manutenção dos sublimites estaduais e municipais, para proteger a arrecadação dos municípios menores.

Box Conampe

Do crédito à exportação, as demandas dos pequenos negócios

Entre as prioridades citadas, o acesso ao crédito aparece como o maior desafio. “Eu diria que é o maior problema que eles têm hoje no país”, afirmou Rodrigo Soares. Para enfrentar o gargalo, o Sebrae opera um fundo garantidor de cerca de R$ 14 bilhões e oferece crédito assistido. Além disso, linhas como o Pronampe e o Procred praticam juros de 20% a 21% ao ano, ante os 35% cobrados no balcão dos bancos.

O governo também lançou um programa de renegociação de dívidas. De acordo com o Sebrae, cerca de 500 mil CNPJs em débito com a União podem voltar à atividade, com desconto de até 70% em juros e multas e parcelamento em até 140 meses. Enquanto isso, o mercado de compras públicas movimenta cerca de R$ 1 trilhão ao ano, mas apenas R$ 110 bilhões chegam hoje às micro e pequenas empresas.

Santinoni acrescentou que produtividade e digitalização preocupam tanto quanto o crédito. “O custo do dinheiro está proibitivo. A micro e pequena empresa está vendendo a janta para pagar o almoço”, resumiu. Nesse cenário, a inadimplência do setor gira em torno de 8%. Aliás, o Acordo Mercosul-União Europeia abriria um mercado de 720 milhões de pessoas, embora só cerca de 30 mil empresas brasileiras exportem atualmente.

Quais são os próximos passos

Na prática, os participantes convergiram para uma sequência de prioridades. Primeiro, aprovar já o reajuste do teto do MEI e a contratação de um segundo empregado, medida que pode gerar cerca de 500 mil empregos. Em seguida, entra em vigor, a partir de janeiro, a nota fiscal eletrônica obrigatória para o MEI. Só depois das eleições, o Congresso deve retomar a discussão do Simples e sua integração ao IVA.

Para o pequeno empreendedor de Maringá, o caminho passa por apoio local. Portanto, quem busca orientação pode procurar o Espaço do Empreendedor, na Rua Arthur Thomas, 792, ou acessar a plataforma Contrata + Brasil e os cursos gratuitos do Sebrae. Ao fim do debate, Helder Salomão resumiu o espírito da pauta. “Se o Brasil quer ser grande, tem que pensar primeiro nos pequenos”, concluiu.

Confira o debate:

Categorias
Notícias

Como oferecer crédito com segurança: guia prático para MPMEs

O acesso ao crédito sempre foi um dos principais temas de debate no universo dos pequenos negócios. No entanto, além de tomarem recursos para investir e expandir suas operações, os pequenos empresários também podem assumir o papel de ofertantes de crédito para os seus clientes — uma estratégia poderosa para impulsionar vendas, aumentar a competitividade e gerar novas receitas.

Para mostrar que essa alternativa está ao alcance de negócios de todos os portes e setores, a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) elaborou o e-book gratuito “Como Oferecer Crédito: Melhores práticas para micro, pequenas e médias empresas”. O material apresenta um passo a passo completo para que o empreendedor possa conceder crédito de forma responsável, minimizando os riscos de inadimplência.

Por que o seu negócio deveria oferecer crédito?

Muitas vezes, a ideia de permitir o pagamento parcelado ou vender a prazo pode assustar o dono de uma micro ou pequena empresa devido aos riscos de atraso. No entanto, quando bem gerida, essa facilidade traz vantagens estratégicas evidentes:

  • Aumento no volume de vendas e atração de clientes: A flexibilidade nas formas de pagamento é um dos principais fatores de decisão de compra. O parcelamento reduz o impacto no orçamento do consumidor e abre portas para novos clientes.
  • Crescimento do ticket médio: Produtos ou serviços de maior valor agregado tornam-se muito mais acessíveis quando parcelados, incentivando aquisições que dificilmente ocorreriam à vista.
  • Fidelização e relacionamento: Conceder crédito demonstra confiança no cliente. Essa relação estreita permite criar promoções personalizadas e destaca a empresa da concorrência.
  • Geração de receita financeira: A cobrança de juros e encargos em operações de parcelamento pode se transformar em uma fonte de recursos adicional para o negócio.

A importância do Score de Crédito

Outro destaque da publicação é o papel essencial da Nota de Crédito (Score), pontuação que varia geralmente de 0 a 1.000 e indica a probabilidade de um consumidor ou empresa honrar seus compromissos. De acordo com a ANBC, notas entre 700 e 799 representam um bom perfil de risco, enquanto pontuações entre 800 e 1.000 são consideradas excelentes.

Os birôs de crédito atuam exatamente para reduzir a assimetria de informações no mercado, democratizando o acesso a dados analíticos sofisticados para que o pequeno empreendedor tome decisões tão seguras quanto as das grandes empresas.

Baixe o guia completo da ANBC e prepare sua empresa

O e-book “Como Oferecer Crédito: Melhores práticas para micro, pequenas e médias empresas” já está disponível para leitura e download.  BAIXE O PDF GRATUITAMENTE:


2025-INS-BOKM-OFCR-IDPT-ANBCBaixar

Continue acompanhando os conteúdos da ANBC:

Saiba mais no site da ANBC – https://anbc.org.br/

Siga o Linkedin da ANBC – Clique aqui

Categorias
Notícias

Ercílio Santinoni participa do Expressão Nacional, da TV Câmara

Ercílio Santinoni, presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (Conampe) e da Federação das Associações das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Paraná (Fampepar), participa nesta quarta-feira (08/07), às 9h, do programa Expressão Nacional, da TV Câmara.

O tema do programa é “Novo Enquadramento do MEI e Atualização do Simples Nacional”, com apresentação de Vania Alves. Além de Santinoni, são convidados para o programa os deputados Helder Salomão (PT-ES) e Luiz Carlos Hauly (PODE-PR), e Rodrigo Soares, presidente do Sebrae Nacional.

O debate deve abordar mudanças nos limites e nas regras de enquadramento do Microempreendedor Individual (MEI) e a atualização das faixas do Simples Nacional, temas centrais para a competitividade e a formalização dos pequenos negócios no país.

Assista aqui:

https://youtube.com/watch?v=kSIVk1jZ2GA%3Ffeature%3Doembed%26enablejsapi%3D1%26origin%3Dhttps%253A%252F%252Fconampe.org.br

Como assistir também: ao vivo pela TV Câmara, pelo aplicativo Câmara Ao Vivo, pelas redes sociais e pelo canal da TV Câmara no YouTube (@camaradosdeputadosoficial)

Categorias
Notícias

Reforma Tributária: quem orienta o pequeno negócio precisa chegar na frente

Quem entende a Reforma, lidera. Quem lidera, fatura!

A maior mudança tributária dos últimos 60 anos já começou. A transição do CBS e do IBS vai de 2026 a 2032 e afeta diretamente milhões de micro e pequenas empresas brasileiras. Por isso, a Fampepar recomenda atenção ao AtIVA Day 2026, que reúne os arquitetos da Reforma Tributária em um único palco.

O evento acontece no dia 16 de julhoquinta-feira, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), nos formatos presencial e online, com apoio da Conampe e Fampepar. Entre os nomes confirmados estão Bernard Appy, Luiz Renato Hauly e representantes dos Comitês Gestores. Ou seja, quem escreveu as regras e quem já implementa o novo modelo estarão na mesma sala. Inscrições – clique aqui. Inscrições presenciais ou online.

Para advogadoscontadoresconsultores e líderes empresariais que atendem pequenos negócios, o momento exige preparo. Afinal, o empreendedor vai buscar respostas exatamente nesses profissionais e lideranças. Quem dominar a transição terá condições de proteger empresas, evitar erros e transformar conhecimento em oportunidade.

Evento em Curitiba
O conhecimento vai fazer a diferença na largada da reforma tributária

O AtIVA Day é uma realização do HIT, hub de inteligência tributária que nasce do movimento Destrava Brasil. Mais informações e ingressos em hittributario.com.br.

Inscrições: https://hittributario.com.br/ – Inscrições presenciais ou online.