FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS DO ESTADO DO PARANÁ

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Como se preparar para a solicitação de crédito: as lições de casa das MPMEs

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No Brasil e no mundo, muitas micro e pequenas empresas ainda encontram dificuldade na sua solicitação de crédito. Em muitos casos, o empréstimo ou financiamento é uma opção desconsiderada para investir, comprar equipamentos, reforçar o estoque ou manter o caixa em dia. Isso limita o crescimento e impõe desafios diários ao negócio. Diante desse cenário, uma pergunta é importante: como aumentar as chances de obter crédito em condições que ajudem a empresa a crescer? A seguir, reunimos alguns cuidados que podem fazer diferença na hora de buscar recursos.

Antes de pedir crédito, vale entender para que o dinheiro será usado. Se a necessidade é manter o funcionamento da empresa, pagar fornecedores, reforçar o estoque ou organizar o fluxo de caixa, as linhas de curto prazo podem ser mais adequadas. Capital de giro e antecipação de recebíveis são exemplos comuns. Já quando o objetivo é comprar equipamentos, reformar o ponto comercial, ampliar a operação ou investir em tecnologia, pode fazer mais sentido buscar linhas de prazo mais longo e, em alguns casos, subsidiadas. Nesse momento, é importante avaliar em quanto tempo esse investimento poderá gerar retorno para o negócio.

Solicitação de crédito
Planejar é fundamental

Nem sempre o crédito mais fácil é o mais barato. Algumas linhas exigem mais documentos e etapas de aprovação, e podem oferecer juros menores e prazos melhores. É o caso de modalidades como crédito rural, linhas de capital de giro e financiamento do BNDES, operações baseadas no Pronampe, programa de crédito voltado ao fortalecimento dos pequenos negócios, e financiamentos para reforma ou ampliação do negócio. Essas opções costumam ter regras específicas para verificar se a empresa se enquadra, e em compensação, podem oferecer condições mais favoráveis do que outras operações de contratação mais simples.

Pesquisar em mais de um tipo de instituição também pode ajudar. Bancos, fintechs, cooperativas de crédito e agências de fomento oferecem alternativas diferentes para pequenos negócios. A empresa pode começar consultando a instituição com a qual já tem relacionamento, e é sempre recomendado comparar com outras opções. Hoje, plataformas digitais e comparadores de crédito ajudam a olhar taxas, prazos e condições em um só lugar. Com mais informação, o empreendedor ganha poder de escolha e pode encontrar uma opção mais adequada à realidade da empresa.

Antes de solicitar crédito, vale consultar a nota de crédito da empresa nos sites dos birôs de crédito. Essas plataformas também costumam indicar caminhos para melhorar a pontuação, também chamada de score. Depois disso, é importante organizar a documentação da empresa e dos sócios, incluindo contrato social, cartão CNPJ atualizado, comprovante de endereço e Certidão Negativa de Débitos, emitida em sites oficiais para comprovar que a empresa está em dia com suas obrigações fiscais. Complemente com relatórios contábeis, como balanço patrimonial e faturamento dos últimos 12 meses, que ajudam na avaliação da capacidade de pagamento da empresa.

Se tiver um plano de negócio com retorno financeiro associado à operação de crédito, inclua na documentação. Isso ajuda a trazer transparência e reforça a confiança do credor no crédito. Outro fator favorável é oferecer garantias ao empréstimo, o que pode contribuir para conseguir taxas mais competitivas e prazos mais adequados.

Por fim, mas igualmente importante, a empresa também precisa cuidar do seu histórico financeiro no dia a dia. Pagar contas em dia, acompanhar o fluxo de caixa e manter as informações atualizadas ajudam a construir uma imagem mais confiável para o mercado. Esses cuidados favorecem a obtenção de crédito sob condições melhores.

O planejamento traz crédito favorável a quem busca. Por isso, vale dedicar tempo para entender a necessidade da empresa, comparar alternativas, organizar documentos e cuidar do histórico financeiro. Em um cenário de juros elevados, escolher bem pode reduzir custos, proteger o caixa e ajudar o pequeno negócio a crescer de forma mais sustentável.

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Ambiente de negócios e 20 anos da Lei Geral marcam agenda de evento estadual do Sebrae/PR

PRacelerar reúne Agentes de Desenvolvimento e gestores para discutir inovação, políticas públicas e reconhecer o trabalho nas bases

Por Thiago Leandro ASN/PR

O segundo dia do PRacelerar 2026, em Foz do Iguaçu, evento que reúne 221 Agentes de Desenvolvimento e gestores de 133 municípios paranaenses, colocou em debate a inovação, os 20 anos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e os desafios para os próximos anos.

O segundo dia de PRacelerar 2026 reuniu 221 agentes de desenvolvimento. Foto: Jean Pavão

Criada em 2006, a Lei representou uma mudança importante no ambiente de negócios dos municípios brasileiros ao estabelecer tratamento diferenciado aos pequenos empreendimentos. Dois anos depois, esse processo ganhou um novo capítulo com a criação do Microempreendedor Individual (MEI).

Ercílio Santinoni, presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe), lembra que a mobilização em defesa dos pequenos negócios começou muito antes. Ele remonta a trajetória a 1984, com a Lei nº 7.256 e o reconhecimento da microempresa.

“Foi um período muito trabalhoso. O Sebrae, juntamente com a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Estado do Paraná (Fampepar), visitou todos os municípios do Estado, fazendo palestras e mostrando para os prefeitos a importância da Lei Geral”, relembra Ercílio, que também preside a Fampepar.

De acordo com Santinoni, a implantação da Lei Geral exigiu um longo trabalho de mobilização junto aos municípios.

“Foram praticamente cinco anos trabalhando, até conseguirmos implantar a lei em todos os municípios do Paraná, mas valeu a pena, hoje os micro e pequenos empreendedores são essenciais no desenvolvimento econômico das cidades”, pondera.

Ercílio Santinoni, presidente da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Estado do Paraná (Fampepar) e Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (Conampe). Foto: Jean Pavão

Passadas duas décadas, o desafio também está em atualizar a Lei Geral diante das mudanças no ambiente de negócios e na própria forma de empreender.

“Nós temos dois pontos que merecem atenção. Um deles é alterar o limite dos enquadramentos, o outro é modernizar o texto da lei, que já está, em vários artigos, desatualizado e não atende aquilo que atendia no passado. O mundo está mudando muito rapidamente e a lei precisa ser alterada”, avalia Santinoni.

Inovação

Entre os caminhos apontados para os próximos anos está a incorporação cada vez maior da inovação à gestão pública e às políticas de desenvolvimento dos municípios. No PRacelerar 2026, o tema foi abordado a partir de experiências que mostram como novas soluções podem contribuir para melhorar o ambiente de negócios e fortalecer a economia local.

De Monteiro Lobato, em São Paulo, a ex-prefeita Daniela de Cássia falou sobre liderança e inovação. Já o palestrante João Ramos conduziu uma rodada de conversas com representantes de Cascavel, Ponta Grossa e Londrina, que compartilharam experiências de gestão e os reflexos dessas iniciativas no ambiente de negócios de seus municípios.

Thiago Guerra, Pres. da Fundação para o Des. Científico e Tecnológico de Cascavel; Lúcio Kamiji, Pres. do TI Paraná e do conselho de Adm. Do Inst. Estação 43, em Londrina; Tônia Mansani, Pres. Agência de inovação e Des. De Ponta Grossa; acompanhados do palestrante João Ramos. Fotos: Jean Pavão

A programação também trouxe experiências de outras regiões do país. Representantes de Tauá, no Ceará, campeão nacional do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE) na categoria Gestão Inovadora, e de Francisco Beltrão, no Paraná, campeão estadual e terceiro colocado nacional na mesma categoria, apresentaram iniciativas que colocam a inovação como ferramenta para transformar a gestão municipal.

Reconhecimento aos Agentes de Desenvolvimento

Agentes de Desenvolvimento no segundo dia de PRacelerar 2026.

Ao longo do segundo dia do evento, os Agentes de Desenvolvimento e gestores foram reconhecidos, com a entrega de troféus, pelo trabalho que desempenham nos municípios. A homenagem ganha ainda mais significado no ano em que a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa completa 20 anos, já que os Agentes têm papel fundamental para transformar as diretrizes da legislação em ações concretas nos municípios.

“São eles que ajudam a fazer com que os princípios da Lei saiam do papel e aconteçam na prática, articulando políticas públicas, aproximando o poder público de quem empreende e contribuindo para um ambiente de negócios cada vez mais favorável. Aqui, reconhecemos, portanto, quem ajuda a transformar essa agenda todos os dias nos municípios”, destaca o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta.

Há 11 anos como Agente de Desenvolvimento em Paranavaí, Andrea Alves Vieira destaca justamente esse papel de articulação e transformação.

“Trabalhamos em cima das políticas públicas do município, da legislação. Temos a percepção de que cada vez mais, nós precisamos nos esforçar para trazer a inovação, esse novo olhar. Essa é a nossa função, é a obrigação de servir o empresário e de trazer mudança territorial”.

De Paranavaí, a agente de desenvolvimento, Andrea Alves Vieira. Foto: Thiago Leandro

De São José dos Pinhais, Fabio Braz reforça que a melhoria do ambiente de negócios exige evolução constante e que a inovação também precisa chegar aos pequenos empreendedores.

“Em 2025, chegamos a 5.900 MEIs em São José dos Pinhais, atendidos na nossa Sala do Empreendedor. Atualmente nosso maior ponto de trabalho com o empreendedor é o de levar inovação, seja qual for o tamanho do seu negócio. Estimular esse microempreendedor a pensar fora da caixa interfere diretamente na construção de um ambiente de negócios promissor”, explica o Agente de Desenvolvimento de São José dos Pinhais.

Fabio Braz, agente de desenvolvimento em São José dos Pinhais.

Eliana Ficagna é Agente de Desenvolvimento no município de Roncador. A cidade, de pouco mais de 11 mil habitantes, registra crescimento no número de Microempreendedores Individuais e, nesse cenário, a troca entre os Agentes também ajuda a antecipar desafios e pensar os próximos passos para esse público.

“Precisamos olhar para frente, agora temos como desafio a compreensão da nova agenda fiscal, principalmente para as microempresas e os MEIs. Nosso papel é planejar, estudar e utilizar os recursos tecnológicos e capacitações oferecidas pelo Sebrae para cumprir com nosso papel, junto aos empreendedores”, projeta Eliana.

Eliana Ficagna, da cidade de Roncador.

A programação do segundo dia também contou com a palestra “Empreendendo Riso”, de Diogo Portugal. O PRacelerar 2026 segue até sexta-feira (4), quando o encerramento terá, entre os destaques, o projeto Histórias de Quem Atende e o Prêmio AD em Destaque, que reconhecem profissionais que atuam diretamente no apoio aos pequenos negócios e na articulação de políticas públicas nos municípios.

Diogo Portugal com o “Empreendendo Riso”

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“O Professor do Crédito” mostra às PMEs como vender mais analisando melhor

“O Professor do Crédito” – uma nova série de tirinhas produzida pela ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) chega para descomplicar um dos maiores desafios de quem toca um pequeno negócio: conceder crédito com segurança e, ao mesmo tempo, aumentar as vendas. Sob o título “Como alavancar as vendas para PMEs”, a história em quadrinhos apresenta o personagem “O Professor do Crédito”, que responde, de forma didática, às dúvidas mais comuns de empreendedores diante do balcão.

O ponto de partida é um cenário que preocupa. Segundo os dados apresentados na série, o Brasil alcançou cerca de 80 milhões de pessoas negativadas em agosto de 2026. Diante desse número, um empresário pergunta ao professor como ainda é possível vender a prazo para pessoa física. A resposta abre caminho para toda a reflexão que se segue.

"O Professor do Crédito"
Restrições são apenas a ponta do iceberg

Logo no início, o professor provoca a plateia com uma imagem forte. Quando o lojista olha somente para as restrições do cliente, ele enxerga apenas a ponta do iceberg. Abaixo da superfície existe muito mais informação capaz de orientar uma boa decisão. Portanto, o histórico de dívidas não deve ser o único fator considerado.

Para reforçar a ideia, a tirinha usa uma comparação simples. O histórico é como um filme do passado. Já a nota de crédito representa a posição do momento e projeta o futuro do consumidor. Assim, em vez de negar a venda por um problema antigo, o empreendedor passa a avaliar a realidade atual de quem está à sua frente.

Cadastro Positivo e birôs a favor do pequeno negócio

A série explica, então, o papel do Cadastro Positivo, previsto na Lei 12.414/2011. Trata-se de uma base de dados que reúne o histórico de operações de crédito e o cumprimento de obrigações financeiras de consumidores e empresas. Esses dados alimentam a construção da nota de crédito e revelam quem está pagando seus compromissos em dia.

Com o apoio dos birôs de crédito, o lojista consegue responder às perguntas certas antes de fechar negócio. Onde essa pessoa mora? Como ela trabalha? Está se recuperando financeiramente? Qual é a sua realidade hoje? A partir dessas respostas, os birôs analisam a fase da vida financeira do cliente, avaliam o risco e recomendam a concessão do crédito, classificando cada caso entre risco baixo, médio ou alto.

Tecnologia e inteligência artificial ao alcance das PMEs

Além das ferramentas tradicionais, o professor mostra que a tecnologia já está acessível ao pequeno empreendedor. Atualmente existem soluções práticas para PMEs, como agentes de inteligência artificial que oferecem consultoria de crédito em tempo real. Essas ferramentas sugerem a aprovação ou a rejeição da venda e indicam até os limites recomendados para cada cliente.

O recado final da série é direto e transformador. Na análise de crédito de pessoa física, além da nota de crédito, é importante identificar a pessoa por trás do CPF. Dessa forma, o empreendedor constrói uma porta de entrada segura para alavancar a empresa e toma decisões mais seguras e inteligentes.

Ao trazer o conteúdo para seus canais, a Conampe e a Fampepar reforçam o compromisso com a educação financeira e com a competitividade dos pequenos negócios. Afinal, vender mais e vender com segurança não são objetivos opostos. Com informação de qualidade, eles caminham juntos.

Veja o a apresentação criada pela ANBC: “O Professor de Crédito”